24 de setembro de 2009

Os professores estão se frustrando

Aqui de Leopoldina estou acompanhando o que acontece na cidade-irmã Cataguases em relação à paralisação dos professores municipais.

Os educadores vêm sofrendo com baixos salários e condições de trabalho que realmente deixam a desejar. Manifesto publicamente minha solidariedade a todos os professores, afinal, muitos talvez não saibam, tenho enorme orgulho em pertencer às fileiras dos professores, tendo lecionado na Escola Estadual Pompílio Guimarães, em Piacatuba no ano de 2006 e no Colégio Equipe de Leopoldina em 2008. Sou casado com uma professora, com 26 anos de profissão.

A realidade da sala de aula poderia ser bem melhor em todo o Brasil, tanto do ponto de vista da relação município / estado / professores, quanto da qualidade do ensino recebida pelos alunos.
Avançamos bastante em relação à alimentação oferecida em nossas escolas, existem bons livros à disposição, mas com os baixos salários pagos a categoria dos professores, estes não encontram outra solução senão a de se desdobrar em dois, três ou mais empregos, (manhã, tarde e noite) gerando um stress e uma fadiga que só os professores conhecem.

Atividade de incomparável responsabilidade, a educação é responsável pela formação de nossas crianças, jovens e adultos. Outrora respeitada, atualmente vemos vocações serem frustradas, motivando excelentes valores do magistério a tentarem outras profissões, atitude que abre espaço para grupos não tão bem talhados para exercer o ofício de educar. E dessa crise existencial surgem os problemas que rebaixam, muitas das vezes, o conceito desejado no ensino brasileiro.

Temos nos acostumado com o que é destinado à educação pelos governos, assim como verificamos na saúde brasileira: demanda enorme, investimentos mínimos, e muita publicidade destinada a iludir a opinião pública, como se o Brasil tivesse os melhores serviços públicos do mundo. Não é verdade. E essa luta só poderá ser vencida a partir da conscientização dos cidadãos, aqui das bases. Não temos o direito de nos dividirmos e nos enfraquecermos, abrindo espaço para o crescimento acelerado de alguns municípios em detrimento da maioria, e nesta maioria de municípios penalizados incluo Leopoldina e Cataguases.

Ultimamente é comum o discurso político de apoio à Educação. Nossa luta política não vem de agora, não é oportunista. Inspiramo-nos nos paradigmas de Anísio Teixeira, idealizador da Escola Parque na virada dos anos 1950/60, que teve implantada em Leopoldina a primeira unidade deste projeto, nos tempos em que JK era presidente e o leopoldinense Clóvis Salgado era o ministro da educação e cultura. Vale o registro: Clóvis Salgado fora o vice-governador de Minas na chapa de Juscelino, assumindo o governo mineiro para que este disputasse a presidência. Ministro, Clóvis Salgado se dedicou a estabelecer uma adequação entre o sistema educacional e as transformações que se operavam no país, promoveu a reestruturação desse sistema com o programa "Educação para o desenvolvimento", que configurava 12 proposições cujas diretrizes seriam capazes de reformular os ensinos secundário e superior. Durante sua gestão, dispensou especial atenção ao ensino técnico-profissional. Hoje, no local onde existia a Escola Parque em Leopoldina funciona o CEFET, atendendo toda a nossa região.

Nossos pensamentos ainda sintonizaram as mensagens de Gilberto Freire, Paulo Freire, Darcy Ribeiro, Celso Brant e mais recentemente os apelos do eterno reitor da UNB, governador do Distrito Federal, ministro da educação e Senador Cristóvão Buarque.

Existem grandes pensadores brasileiros. Cada um dos leitores certamente o é. Mas a luta empreendida por Cristóvão em defesa da educação brasileira é louvável, coerente, necessária e democrática. Cristóvão Buarque, não obstante partidariamente não termos a mesma filiação, permito-me afirmar, inegavelmente simboliza a esperança de ter o Brasil uma educação à altura de nossos sonhos. Monteiro Lobato, que foi um “mix” de empresário, visionário, editor, jornalista, literato, criou uma de nossas mais sintéticas e sábias frases: “Um país se faz com homens e livros”.

Ao pé-da-letra pode ser que os homens nem dêem atenção aos livros, mas a mensagem interpretada tem outro impacto: “a importância dos homens (homens e mulheres voltados ao ensino, ao saber) e livros (escolas, centros do saber, bibliotecas, ensinamentos dos livros nas salas de aula, e arriscando a ultramodernidade: a Internet)”.

Portanto, minha homenagem a todos os professores e alunos, em especial aos professores de Cataguases, em respeito pela sua luta;

E “alunos” somos todos.

“Professores” proporcionalmente são poucos...
Merecem muito mais de nós.


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postado por Júlio Cesar Martins às
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Júlio Cesar Martins Gonçalves é natural de Leopoldina / MG. Radialista, Jornalista, Mestre de Cerimônias, Professor e Historiador graduado pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Cataguases / MG. Atuou nas principais emissoras de Rádio da Zona da Mata e nas Rádios Mundial AM e Globo FM do Rio de Janeiro (1982), ambas do Sistema Globo de Rádio. Foi locutor comercial e de cabine da TV Globo Juiz de Fora (1989). Apresentador de grandes eventos em Leopoldina e região nos últimos trinta anos. Exerceu o cargo de Chefe da Seção de Imprensa da Prefeitura de Leopoldina no primeiro mandato do Prefeito José Roberto de Oliveira. Ex-assessor na Assembléia Legislativa de Minas Gerais, ao lado dos deputados estaduais Bené Guedes e Bráulio Braz. Ex-assessor da Câmara Municipal de Leopoldina, na gestão do Presidente Ricardo Ávila. Após a criação da Secretaria de Meio Ambiente pelo Prefeito Bené Guedes foi nomeado Secretário de Meio Ambiente de Leopoldina (2009) alcançando grandes conquistas e avanços para o município. Ex-Presidente da Conselho Municipal de Meio Ambiente. Ex-Presidente da Lira Musical Primeiro de Maio. Membro do Rotary Club Leopoldina. Presidente do PMN - Partido da Mobilização Nacional - Leopoldina. Candidatou-se a deputado federal nas últimas eleições de 2010, apoiando incondicionalmente o Governador Antônio Anastasia, reeleito, além dos candidatos Aécio Neves e Itamar Franco, ao Senado, ambos vitoriosos. Obteve 6.135 votos em Leopoldina (22,19 do eleitorado), de um total de 7.092 votos obtidos em 91 municípios mineiros. Incluiu Leopoldina entre as três maiores votações percentuais do PMN em Minas Gerais. É o 5º Suplente da legenda para a Câmara dos Deputados. Em Novembro de 2010, após as eleições, retomou suas atividades profissionais na Imprensa, fundando o Jornal Inconfidência - publicação quinzenal, em cores e preto e branco, cobrindo Leopoldina e região. Clique aqui para me enviar um e-mail, ou escreva para: juliodaradio@gmail.com.


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